Política

Hugo Motta é criticado e chamado de inimigo do povo nas redes

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Hugo Motta é criticado e chamado de inimigo do povo nas redes
Hugo Motta é presidente da Câmara dos Deputados

Na última semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi alvo de uma verdadeira enxurrada de críticas nas redes sociais. Tudo isso aconteceu depois que ele decidiu articular, em conjunto com parlamentares bolsonaristas, a derrubada do decreto do governo federal que atualizava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Essa decisão foi vista por muitos como uma traição direta ao Palácio do Planalto, já que a medida visava aumentar a arrecadação de quem movimenta grandes somas de dinheiro — algo que afetaria principalmente os mais ricos. A partir desse momento, Hugo Motta passou a ser associado a hashtags como #CongressoDaMamata e #CongressoInimigoDoPovo, que viralizaram em diversas plataformas, principalmente no X (antigo Twitter).

No entanto, o cenário ficou ainda mais intenso quando uma pesquisa Quaest revelou que Hugo Motta conta com o apoio de 68% dos deputados. Ao invés de usar essa informação de forma discreta, o presidente da Câmara tentou se promover como um líder que dialoga com diferentes grupos e defende o interesse coletivo. Mas a estratégia, claramente, não saiu como ele esperava.

Aliás, ao tentar “lacrar” e se colocar como um político aberto ao diálogo, Motta acabou reacendendo a ira dos internautas. As respostas foram majoritariamente negativas, com comentários chamando-o de “inimigo do povo” e ironias sobre sua suposta proximidade com a população.




Enquanto as críticas ganhavam força, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), resolveu intervir. Em um momento em que o governo enfrenta dificuldades de articulação no Congresso, Gleisi optou por uma postura mais conciliatória.

Segundo a ministra, mesmo que o debate político e a divergência façam parte da democracia, não se pode justificar ataques pessoais. Ela afirmou nas redes sociais que repudia as ofensas contra Hugo Motta, enfatizando a importância do respeito às pessoas e às instituições.

Além de Gleisi, outros integrantes do governo, como o advogado-geral da União, Jorge Messias, também se manifestaram. Durante o Fórum de Lisboa, Messias destacou que Motta seria “um deputado federal forjado no diálogo e na boa política”.

Essas falas, no entanto, não foram suficientes para frear a onda de indignação que tomou conta das redes. Para muitos brasileiros, a derrubada do decreto do IOF representou um ataque direto à ideia de justiça tributária, já que beneficiaria justamente aqueles que possuem mais recursos.

O encontro com João Doria e o vídeo que viralizou

Em meio à crise, Hugo Motta ainda se encontrou com João Doria, ex-governador de São Paulo e empresário. Durante o encontro, Doria chegou a chamá-lo de “herói” por sua postura contrária ao aumento do IOF. Essa declaração apenas inflamou ainda mais as críticas, já que muitos viram a aproximação com Doria como mais um sinal de que Motta estaria alinhado aos interesses da elite econômica.

Hugo Motta é criticado e chamado de inimigo do povo nas redes
Dória com Hugo Motta intensificou as críticas ao presidente da câmara

Como se não bastasse, um vídeo produzido pela militância de esquerda usando inteligência artificial viralizou nas redes. No vídeo, um personagem chamado “Hugo Não Se Importa” aparece reunido com um grupo de milionários, em uma sátira direta à decisão de barrar a atualização do imposto. O material teria incomodado profundamente o deputado, segundo o jornalista Valdo Cruz, da Globo.

A repercussão foi imediata e milhares de usuários compartilharam a peça, consolidando ainda mais a imagem de Motta como um político distante do povo.

O desgaste na imagem pública

Apesar de toda a articulação para tentar controlar a crise, a imagem de Hugo Motta saiu abalada. Antes visto como um político habilidoso, capaz de dialogar com diferentes correntes, ele agora é chamado de “inimigo do povo” e de defensor dos “ricos e poderosos”.

Além disso, a militância digital passou a concentrar seus esforços para expor a atuação de Motta em votações e suas alianças políticas. As hashtags continuam em alta, gerando engajamento e pressionando o deputado a dar explicações mais consistentes ao público.

Esse episódio também serviu como um alerta para outros parlamentares: em tempos de redes sociais cada vez mais ativas e fiscalizadoras, decisões impopulares ganham repercussão imediata e podem custar muito caro em termos de imagem e credibilidade.

A tensão entre governo e Congresso

Por trás desse desgaste todo, existe uma tensão maior entre o governo federal e o Congresso Nacional. A derrubada do decreto do IOF foi apenas a ponta do iceberg. Há uma disputa silenciosa por poder e influência em Brasília, e a articulação política de Hugo Motta deixou claro que parte da Câmara não está disposta a seguir cegamente as orientações do Planalto.

Apesar das tentativas de pacificação feitas por ministros e lideranças do governo, a base governista já demonstra sinais de fragilidade. A relação, que já era tensa, agora parece ainda mais delicada.

Para o governo Lula, esse episódio acende um alerta sobre a necessidade de fortalecer a articulação política e estreitar o diálogo com aliados. Afinal, sem uma base sólida, projetos importantes podem ser derrubados ou engavetados, comprometendo o avanço de pautas sociais e econômicas.

O futuro político de Hugo Motta

Diante de toda essa polêmica, fica a pergunta: qual será o impacto dessa crise no futuro político de Hugo Motta? Embora ele ainda tenha apoio expressivo dentro da Câmara, sua popularidade nas redes sociais sofreu um golpe severo.

Caso não consiga reverter essa percepção negativa, o deputado corre o risco de se tornar um símbolo do que muitos chamam de “velha política”, marcada por alianças suspeitas e decisões que priorizam interesses de poucos em detrimento da maioria.

Ao mesmo tempo, essa situação também pode ser uma oportunidade para que Motta repense sua postura e construa uma nova narrativa, mais alinhada às demandas populares. No entanto, para isso acontecer, será necessário muito mais do que postagens nas redes tentando “lacrar” ou encontros com figuras da elite econômica.

O caso de Hugo Motta é um exemplo claro de como decisões políticas podem ter repercussões imediatas e devastadoras na imagem pública de um parlamentar. Ao optar por barrar uma medida que visava aumentar a arrecadação dos mais ricos, foi aberto um espaço para ele ser visto como inimigo do povo e defensor de privilégios.

Em um contexto político cada vez mais conectado e monitorado em tempo real, a opinião pública ganhou força e se tornou um ator fundamental nas decisões de Brasília. Para Hugo Motta, a lição fica clara: é preciso ouvir mais, dialogar de verdade e, acima de tudo, respeitar as demandas da população.

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